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“A paciência é como a quilha de um barco: ela nos permite manter a estabilidade nos mares mais revoltos da vida enquanto continuamos a nos mover na direção que desejamos".


(Mary Jane Ryan, O poder da paciência, pag. 12)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013



       DISSERTAÇÃO DO LIVRO, PRETINHA EU?

       O autor Júlio Emilio Braz deixa evidente quanto ao preconceito, vivido pela a personagem no seu livro Pretinha eu? Mas na realidade as pessoas negras também ainda sofrem bastante preconceito. O próprio autor disse que só se descobriu negro aos vinte anos, nem ele mesmo aceitava a sua cor. Disse que soava-lhe forte a palavra negro, palavras do tipo “moreno” “mulato” eram-lhe mais confortáveis. Hoje tem a satisfação e principalmente a alegria de, além ser negro, ser gente, apesar de ainda estar relegado a um segundo plano na sociedade.

        Aqui um pequeno resumo de algumas páginas do livro em questão.    
                                  

       Todo mundo foi pego de surpresa, olhavam e se entreolhavam como se estivesse vendo a alma do outro mundo. Aquilo jamais havia acontecido no Colégio Harmonia. Porque em cem anos de tradição, ninguém como Vânia entrara lá. Vânia parecia saber o que queria e era durona. Ela parecia saber exatamente o que esperava quando pôs os pés no Colégio Harmonia. Era bem pretinha, mas tão pretinha que do lado dela eu me sentia mais branca do que a Carmita. Vânia tinha o cabelo duro preso num monte de trancinhas os lábios grossos e vermelhos, nariz de batata e os olhos grandes e brancos. Os dentes iluminavam um sorriso enorme e brilhante como sol. Carmita tinha um talento todo especial para encontrar defeitos nas pessoas de quem não gostava, principalmente quando se tratava de Vânia. Era o fato de Vânia ser pretinha, pretinha, como repetia naquelas horas em que ficava com muita raiva de Vânia, as boas notas de Vânia, seus belos trabalhos, tudo isso servia para deixar Carmita morrendo de raiva. Porque tinha de ser sempre tão boa em tudo?
       Carmita tinha os cabelos vermelhos, os olhos azuis e a pela branca, Bárbara era loura de olhos verdes. Os cabelos de Vivi eram negros, mas a pele também branca. Tatiana ganhou o apelido de gringa por seus cabelos cor de palha e a pele avermelhada, herança dos avós holandeses. Mas eu... Eu era morena. Não tão preta quanto a Vânia, de cabelos ruins, mas eu era morena. Sei lá Vânia me assustava, era medo de que notassem a semelhança há tanto tempo ignorado. Era assustador admitir que nós duas possuíssemos alguma coisa em comum. Apesar de Vânia ser mais pretinha do que eu.
        Pretinha eu? Não, eu não. Eu era morena. Era o que a mamãe dizia e papai repetia. Carmita disse que a mãe dela falou, e que o pai dela concorda que gente preta não é muito inteligente, não. Que gente preta é preguiçosa e só vive criando confusão. Que a mãe garante que preto quando não está na cozinha ou jogando futebol, é ladrão.
         A menina Vânia foi vítima de preconceito na nova escola onde foi estudar. Por ser negra e não ter uma vida economicamente desejável como a da Carmita e suas amigas.
          O que se vê todos os dias, em escolas, hospitais, repartições públicas, são crianças/pessoas sofrendo com a discriminação. Elas enfrentam dificuldades por todos os lugares que passam. As crianças são discriminadas nas escolas pelos colegas, na realidade ainda acontece algo parecido com o que aconteceu com a personagem, xingamentos humilhações. Muitas vezes essas crianças recebem tratamento diferenciado até de professores. Por isso abandonam a escola, não chegam nem a terminar o ensino fundamental. Não se qualificam profissionalmente. Sem nenhuma qualificação têm dificuldades em arranjar um emprego, porque as vagas que as empresas oferecem são poucas, além de exigirem essa qualificação profissional. Diferente da personagem que não se intimidou com os insultos das meninas, ela seguiu em frente para alcançar os seus objetivos.







ANA CLEIDE

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